Aqui está o meu mais recente motivo de orgulho, uma música com uma letra minha. Espero que gostem:
http://www.youtube.com/watch?v=sg3n78ofjc8
http://www.youtube.com/watch?v=sg3n78ofjc8
Pois são lágrimas
A saltarem
Para um mar de ilusões,
É a água que vai regar
A árvore da angústia,
É a mudança constante
Da cor das estações,
E eu aqui
Procurando o teu caminho!
Corro para fugir,
Tropeço nos meus medos,
Salto por cima da felicidade
Esbarro com a saudade.
Só quando me sento
À beira do rio que descemos
Consigo pensar e chorar.
Passeio descalço no pinhal
Pensando no que fiz.
Sinto uma dor no coração
Mais forte que a dos pés no chão.
O suor que preenche os meus olhos
Acariciado pelos teus raios
Vai escorrendo e caindo.
Vejo folhas acumuladas
Palavras e textos que perdem sentido,
Pois só o tempo que estão paradas
Fá-las ficarem apagadas.
Pego numa folha aleatória
Do meio desta montanha
E vejo teu ser nela!


O ar era empurrado para fora daquele corpo pela pressão dos dedos e formava um ligeiro borbulhar à tona da água. Um sorriso era solto pelo reenchimento daqueles espaços com água, que se disfarçava com a suposta piada daquele anterior borbulhar. Em seguida o corpo sorridente, imitando fielmente o ritual do nascimento da carne, sentia uma chuva morna a percorrer locais aleatórios da sua pele. Apenas o esvaziar de todos os poros amainava aquela tempestade, que era seguida novamente pela expulsão de ar. Dez dedos mantinham-se mergulhados permanentemente na água, enquanto cinco mantinham o batimento da nuvem artificial e outros cinco se perdiam por um campo de trigo negro. As linhas soridentes ansiavam por colar-se a outras homónimas, e quando os cinco ceifeiros pareciam denunciar esse tão esperado contacto, decidiram antes executar aqueles imprudentes que preferiram abrir a porta a outros que proferiram palavras bonitas, que proferir palavras bonitas àqueles que a bomba que agora parava sempre pedira para tocar. E um corpo sorridente espelhava horror enquanto, mergulhado totalmente na água, sentia espaços vazios a encher e a pele a enrrugar.



Ouvia os meus passos 


Estava a passear o meu corpo pelo parque da cidade numa manhã de Dezembro. O céu estava limpo e soprava uma suave brisa fria. Com estas condições era óbvio que se tinha formado geada durante a noite. De facto estava uma leve camada branca a cobrir as folhas da relva, dos arbustos e das árvores. Os raios do sol começavam a derreter os grãos de gelo presos nas árvores, de maneira que parecia estar a chover. Numa parte do parque o sol incidia directamente sobre a relva, de maneira que a água há muito que descongelara. No entanto existia um pequeno arbusto no meio do relvado que, claro, possuía a sua sombra, lançada sobre uma pequena parte no relvado. Na sombra do arbusto a geada ainda não havia dissolvido.