
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Perdido entre lençóis...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Figura que passa..
E da figura que passa, daquela que deixa apenas como marca a sua passagem que já foi e não volta a repetir-se, dessa figura de um estranho que passou sem querer, alheio ao que estava a provocar e que nunca saberá o que marcou, desse vulto que criou uma sombra de dúvida e de vontade de voltar atrás e iluminar-lhe o rosto, desse corpo que deixou um aroma marcado no meu nariz, desse alguém que passou por mim, fica apenas uma passagem que nada mais fez que ser ignorada por todos, mas cuja ignorância marcou um momento, o segundo que marcou a sua passagem.
sábado, 1 de novembro de 2008
Rascunhos

Perdido… Sempre perdido! Vá, esfregar a os olhos, respirar fundo, abanar a cabeça e olhar para o texto outra vez. O banco do autocarro sofria com o meu peso… Mais uma metáfora repetitiva. Tentar outra vez! As duas vozes suaves que estavam atrás de mim… Boa, estavam atrás de mim e daí? São banalidades! Entretanto uma voz respondia suavemente aos porquês do filho… E isso interessa a alguém? Começo a ficar farto! Calma, concentração, inspiração. Inspiração… Já não sei o que é isso. Espera, estou a sentir o peito a inchar involuntariamente, estou a viver palavras, imagens e cheiros à minha volta, acho que me estou a inspirar… Não, estou a forçar a coisa. Aliás, se estivesse inspirado não estava com tanta raiva do que estou a escrever. Estou só a perder tempo e a desperdiçar bateria. Mas que mania a minha! Mas por que raio é que eu tenho d tentar colocar nas palavras o que sinto esperando que quem ler irá sentir o mesmo que eu? Eu sou científico, racional, e sei que isso não é possível. E pronto, para não variar dou por mim a contrariar-me a mim próprio… É isso e a minha mania de falar demasiado, sem demasiadamente sincero. OK, isto agora está a parecer uma introspecção… Estou sem paciência para deprimir agora. Que raiva! Que se lixe o computador e esta sensação e o texto que eu ia escrever! Vou dormir!
sábado, 25 de outubro de 2008
Árvore da Angústia
Aqui está o meu mais recente motivo de orgulho, uma música com uma letra minha. Espero que gostem:
http://www.youtube.com/watch?v=sg3n78ofjc8
http://www.youtube.com/watch?v=sg3n78ofjc8
Pois são lágrimas
A saltarem
Para um mar de ilusões,
É a água que vai regar
A árvore da angústia,
É a mudança constante
Da cor das estações,
E eu aqui
Procurando o teu caminho!
Corro para fugir,
Tropeço nos meus medos,
Salto por cima da felicidade
Esbarro com a saudade.
Só quando me sento
À beira do rio que descemos
Consigo pensar e chorar.
Passeio descalço no pinhal
Pensando no que fiz.
Sinto uma dor no coração
Mais forte que a dos pés no chão.
O suor que preenche os meus olhos
Acariciado pelos teus raios
Vai escorrendo e caindo.
Vejo folhas acumuladas
Palavras e textos que perdem sentido,
Pois só o tempo que estão paradas
Fá-las ficarem apagadas.
Pego numa folha aleatória
Do meio desta montanha
E vejo teu ser nela!
sábado, 4 de outubro de 2008
Dedicatória à Praxe

Um corvo poisou no sofá e ia observando o cair dos resguardos negros. Um a um, todos caiam naquele poço de mágoas e fuga do dia a dia, procurando manterem-se unidos, enrolados e protegidos. Daí, observavam a face pura daquele ritual a proteger o meu tronco, enquanto os ecoadores nas ruas solitárias e escuras eram atirados com as suas irmão para um canto, permitindo que o último resguardo negro se unisse a eles. Viagens pelo mundo resguardado adiaram a viagem da face pura, que poisou calmamente em cima dos resguardos negros. O corvo, das costas do sofá, via agora a seus pés um monte que se tornara branco e à sua frente um corpo que, deitado, começava a caminhar sozinho pelas ruas da memória, revendo os gritos, risos e choros do dia, as viagens e o tempo perdido, os corpos humilhados e subjugados das mentes que se tornavam cada vez mais unidos e integrados, que esqueciam famílias e amigos, lares e rotinas, e abraçavam agora aquele novo mundo chamado universidade.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Companheira da noite

Aquela sensação apoderava-se do meu corpo, transmitindo uma cada vez maior necessidade de encontrar a minha companheira de todas as noites, a porta para todos os meus sonhos, o cálice que recebe as minhas lágrimas, a vigia do meu sono, o conforto nas noites mal dormidas, o afagar nas noites frias. E assim agarrado a ela, lembrando o dia que passei, desejo, sinto, quero e não consigo. Resta então fechar as persianas sobre as manchas verdes que tanto viram e viveram nas ultimas horas e despentear o cabelo no suporte da minha cabeça!
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Lábios Errados

segunda-feira, 28 de julho de 2008
Tic-Tac

Um tic-tac que não acaba vai infernizando a minha vida e lembrando-me dos desperdícios a que me vou propondo voluntariamente. Vou desperdiçando mais uns minutos e aquele tic-tac vai fazendo a banda sonora, segundo a segundo, daquele meu fazer coisa alguma. Agarro num monte de penas, daqueles que se encontram envoltos num pedaço de pano, e ponho-o em cima do mecanismo sonoro. Continuo o meu quotidiano, agora embebido num tic-tac abafado, fazendo um eco maior na minha cabeça. Engraçado, podemos estar a fazer o que quisermos, a rir, chorar, dormir, correr, meditar, bocejar, fazer nenhum ou fazer tudo, fazer o bem ou o mal, que há sempre uma coisa constante a tudo, o tic-tac daquele relógio. E mesmo que eu me farte e o parta, o tic-tac vai continuar na minha cabeça e na minha vida. Bem, acho que vou aproveitar os próximos tic-tacs para descançar, para assim aproveitar bem os tic-tacs do dia de amanhã!
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Luta perdida

A areia do chão sentiu o peso do meu joelho e logo começou a responder a este ataque, marcando e criando pequenas feridas. As minhas mãos largaram o gume e a protecção para apoiarem o meu joelho nesta luta. Da minha testa escorria uma mistura de suor e sangue que acariciava a minha face, a minha barba por fazer, e pingava do meu queixo, regando a areia e tentando distraí-la. A ponta de uma espada poisava calmamente no meu pescoço. Uma voz questionou o meu arrependimento quanto à minha entrada naquela luta. Eu tinha entrado naquela confusão por amor, por paixão e impaciência. Não aguentava a distância, a antecipação, a vontade frustrada. E também não aguentava aquela estúpida alegria de sentir que amava e era amado e não o poder demonstrar com as minhas mãos e com os meus lábios. Peguei numa espada e lutei contra todas aquelas mãos e espadas que me separavam do que eu queria. Sacrifiquei tempo, dinheiro, outras actividades, porque para sermos felizes temos sempre de sacrificar algo. Agora acabava de sacrificar também a minha vida. Mas não havia problema, com um berro gritei "Enquanto houver vida, haverá tristeza, e tu vais agora acabar com ela!" Uma voz arrogante, sorrindo, apenas disse "Mas com vida também há alguma alegria e felicidade! E sem vida não há nada!" Uma lágrima soltou-se com o choque que estas palavras e o gume da espada fizeram no meu coração.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Chá com um amigo

Uma chávena quente mantinha as minhas mãos longe do frio. Uma conversa lembrava a razão do meu coração estar quente. Falávamos das namoradas, da família, de música e de nós. De vez em quando um trago quente ressuscitava a voz e deixava a chávena mais fria. Mais umas palavras quentes mantinham o ambiente confortável e apetitoso. Uma chávena poisada, umas palavras vindas de uma cabeça quente, um suspiro e uma chávena que voltava a proteger as mãos do frio. De vez em quando uma mão fugia para dar voltas no ar, acompanhando algumas outras palavras, e voltava a proteger-se na chávena. Mais um trago, umas risadas, mais palavras e mais um trago. Enfim a chávena tornou-se fria e incapaz de proteger as mãos. O relógio, vendo isto, lembrou-se de se colocar à frente de dois olhos. Umas palavras de despedida e um abraço. Um porta fecha e ambas as chávenas são lavadas, secas e arrumadas. Enquanto um corpo se deita elas ficam a sonhar com o sabor do próximo chá.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Splash no parque!

terça-feira, 18 de março de 2008
Evangelho segundo a Dor

Uma ponta de ferro era segurada estaticamente no ar. Uma brisa trazia choros, mágoas e gritos de dor até aquela ponta que agora suspirava antes de começar o seu doloroso serviço. Aquele serviço, aquela função a que fora destinada a partir do momento em que foi comprada era amaldiçoada por todos os que a rodeavam, mas no fim dos tempos, depois de tudo se endireitar ela seria santificada, colocada a par das coisas mais sagradas. Mas por enquanto apenas começava a receber empurrões que a faziam atravessar camadas e camadas. Ao primeiro empurrão abriu um pequeno furo. Ao segundo começou a penetrar aquele meio e a sentir um doce e quente aroma férrico. Mais pancadas faziam-na mergulhar naquele aroma. Cada vez estava mais mergulhada. Bateu num objecto duro que imediatamente estilhaçou. Os fragmentos brancos espalharam-se naquele meio e soltaram um urro. Apenas agora reparava que a cada empurrão que sofria um grito era solto. Mais um empurrão, mais mergulhada estava naquele aroma, mais estilhaços se espalhavam e mais gritos eram soltos. Por fim sentiu uma lufada de ar. Estava agora a sair daquelas camadas, tinha atravessado-as. O aroma escorria por ela e chegando à sua ponta caia como chuva, em gotas. Começava agora a sentir outra camada. Mais uma para atravessar? Os empurrões continuavam, mas agora os grito não se ouviam, não haviam estilhaços e o aroma era mais frio, seco e com um aroma fresco a primavera. Por fim os empurrões pararam. A nova camada não tinha sido atravessada. Começava a sentir empurrões e gritos de outro lado. As suas irmão estavam agora a seguir os seus passos. No fim daquilo seria solta das duas camadas, tal como as suas irmãs e não seria perdida no tempo como as suas primas. Porque nessa altura já estaria santificada, seria demasiado importante para ser esquecida. Agora apenas segurava as duas camadas juntas. A sua função era monótona, mas umas palavras soltas atravessaram-lhe a alma fria e metálica. A essas palavras já não interessava o beijo que ardia, os espinhos e pedras que esbarravam com os seus pés enquanto era arrastado, a coroa que queria agarrar-se à sua pele, o monte de madeira que estava às suas costas, o atravessar das suas mãos e pés por aquelas pontas metálicas. Apenas interessavam elas próprias, essas palavras, esse “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!” E o aroma quente e férrico pingava. Gota a gota a humanidade era salva!
segunda-feira, 3 de março de 2008
Forças
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Guerreiro da luz

Acordei com suores frios! Olhei para a parede e vi lá a imagem do meu anjo. Tinha sido o anjo S. Miguel que me tinha mandado acordar! Eu inspirei fundo e deitei-me. Precisava de descançar mais um pouco antes de voltar a viver...
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Chuva viva

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Sombras dos arbustos!

Imagina que a geada matinal são todas as tuas qualidades, ideais, sonhos, que o sol é o mundo em que vivemos e que o arbusto é a tua coragem, a tua vontade de lutar. Quanto maior a tua vontade de lutar, maior será o arbusto e mais sonhos conseguirás realizar, mais ideais conseguirás defender, mais qualidades manterás intocáveis.
Faz crescer este arbusto, torna-o numa árvore. Assim conseguirás realizar mais ambições tuas.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Choro da vinha
Ouvem-se estalidos ao longe. Aquela sinfonia cadenciada aclama à aldeia o desespero de uma mãe, que lhe vê serem retirados seus filhos. Corro para assistir à cena e deparo-me com duas lâminas siamesas a cercarem um filho, a abrirem-se bem e cortarem o cordão umbilical. Os filhos da vinha descrevem um movimento vertical de queda até se encontrarem com a mãe da vinha, sua avó, a terra! E é no colo de sua avó que morrem, são acamados, atados com vimes (filhos do vimeeiro, planta que ajuda na carnificina), deixados a secar ao sol e, depois de o seu calor cozer o pão e aquecer os filhos do homem, são seus restos mortais espalhados por este colo muitas vezes frio, mas sempre pronto para acolher qualquer um, sejam seus netos da vinha, seja seus netos do homem. Enquanto isto a mãe vinha, atado pelos filhos do vimeeiro para não acudir os seus, apenas chora, chora, chora.
Os filhos da vinha foram roubados a sua mãe e sua mãe, agarrada pelos malfeitores, apenas chora de tristeza. E eu, vendo aquela cena,penso no que me foi roubado e choro de raiva. Quem me dera ser vinha, para, ano após ano ver serem-me roubados os meus filhos e chorar de tristeza. Mas não sou vinha, e então vejo serem-me roubados amigos, pais, irmãos, filhos, companheiros, e choro de raiva contra o manuseador da tesoura, em vez de chorar a ausência dos meus ramos, das minhas vides!
Os filhos da vinha foram roubados a sua mãe e sua mãe, agarrada pelos malfeitores, apenas chora de tristeza. E eu, vendo aquela cena,penso no que me foi roubado e choro de raiva. Quem me dera ser vinha, para, ano após ano ver serem-me roubados os meus filhos e chorar de tristeza. Mas não sou vinha, e então vejo serem-me roubados amigos, pais, irmãos, filhos, companheiros, e choro de raiva contra o manuseador da tesoura, em vez de chorar a ausência dos meus ramos, das minhas vides!
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Desafios
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